Um ano após suspensão de aulas presenciais, estudantes e famílias ainda enfrentam incertezas com reabertura das escolas na pandemia

Um ano após suspensão de aulas presenciais, estudantes e famílias ainda enfrentam incertezas com reabertura das escolas na pandemia

Em Paraisópolis, Zona Sul de São Paulo, a pequena Jhullia Rodrigues, 6 anos, está se alfabetizando com a ajuda dos pais em casa, que tentam suprir as falhas da aprendizagem remota pesquisando atividades extras na internet para a menina. Jhullia completou a educação infantil e entrou no 1º ano do ensino fundamental neste ano, em plena pandemia.

Em Teresina (PI), Ruan Sousa, 10 anos, passou do 4º para o 5º ano. Mesmo estudando na rede pública municipal, ele pode contar com a ajuda de uma professora particular contratada pela família para um “reforço” escolar. Passou de ano, mas quer voltar à escola e rever amigos.

Sofia de Souza, 8 anos, conseguiu rever os amigos. Depois de muitas aulas virtuais em uma escola particular em São Bernardo do Campo, ela pode voltar à sala de aula neste 2021. Mas, a escola não era a mesma. Com medo da pandemia, nem todos compareceram. No primeiro dia, foram Sofia e mais 2 alunos. No segundo, só ela e a professora. Agora, a instituição está fechada novamente, com aulas a distância.

O Brasil completa nesta semana um ano desde que as aulas presenciais foram suspensas e as escolas, fechadas, para conter a pandemia do coronavírus. O que parecia ser algo temporário se estendeu por um ano letivo inteiro – e os recordes de casos e mortes trazem incertezas sobre como será em 2021.

“O Brasil tem a maior média de semanas de escolas fechadas do mundo e está sofrendo as consequências de maior impacto da pandemia”, afirma Ítalo Dutra, chefe de Educação do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) no Brasil.

Ao todo, o Brasil tem 47,2 milhões de estudantes matriculados na educação básica – que vai desde a creche até o ensino médio. A maior parte (81,4%) estuda na rede pública. Entre eles, quase a metade (48,4%) está em escolas municipais.

Sem uma articulação nacional que ajudasse a concentrar esforços e propagar boas experiências, cada rede foi encontrando uma solução. Ainda assim, a escola não chegou a todos.

Uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (10) apontou que 2,4% dos alunos das redes municipais não tiveram nenhuma atividade escolar em 2020. Se a volta às aulas presenciais garantiria o direito à educação para estes estudantes mais vulneráveis, reabrir escolas ainda é um desafio: quase seis em cada dez cidades ainda não definiram protocolo de biossegurança para as suas redes.

“A gente precisa estar preparado e discutir, planejar, estar pronto para, no dia em que for possível, retomar as atividades presenciais”, afirma Dutra.

Para a doutora em Educação e professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Telma Vinha, faltou colocar a educação como prioridade para reabrir escolas.

“Colocar escolas como prioridade é dar razão efetiva para que isso aconteça. Mas isso não quer dizer: abra as escolas com 30% [de ocupação]. Quando dizem que há protocolo de segurança e para o aluno [voltar] é optativo, esquecem de pensar que para o professor e funcionário, não é optativo. Vários usam transporte público. Se os alunos são adolescentes, vários também usam. Não é como decidir abrir bar, que ninguém é obrigado a ir. Abrir escola é algo que mexe com a sociedade, tem deslocamento. Mais do que protocolo de segurança, é preciso dar condição de segurança”, avalia Telma Vinha.

Para ela, países que já reabriram as salas de aula, como os da Europa, não podem servir de parâmetro para as escolas do Brasil. Vinha afirma que “não dá para comparar escolas europeias com escolas brasileiras”, por exemplo, porque “lá, as salas são amplas, tem ventilação. Aqui, falta sabonete. A gestão de pandemia na Europa é diferente da gestão da pandemia no Brasil”, elenca.

Até as 20h desta sexta (12), o Brasil bateu 275.276 mortes e 11.368.316 casos confirmados de coronavírus. Vinte e três estados e o DF apresentam alta nos números.

Entre eles, está o estado de São Paulo. O governo estadual anunciou medidas mais restritivas para conter a pandemia, como a antecipação do recesso escolar de abril e outubro para o período de 15 a 28 de março e o fechamento das escolas para o ensino presencial. Mas as unidades ficarão abertas apenas para merenda dos alunos que precisarem e para a retirada de chips a partir de segunda-feira (15).

As particulares poderão receber alunos até o limite de 35% da capacidade total das salas. As redes municipais podem decidir se vão aderir ou não. A capital decidiu suspender as aulas presenciais nas escolas municipais, estaduais e particulares de quarta (17) a 1° de abril.

Fonte: G1

Compartilhar este post

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

9 + 13 =