Teste inédito mostra o que dificulta o aprendizado das crianças de SP

Teste inédito mostra o que dificulta o aprendizado das crianças de SP

Um novo teste foi aplicado para as escolas municipais da cidade de São Paulo, mas o resultado foi uma decepção já familiar: os alunos não atingiram a meta estabelecida na primeira edição do Índice de Desenvolvimento da Educação Paulistana (Idep), que mede o desempenho em mais de 500 unidades da capital.

Segundo dados divulgados na semana passada pela Secretaria Municipal de Educação (SME), nos anos iniciais, entre 1º e 5º ano, o resultado médio da cidade foi de 4,7 (a meta era 5,1). Já entre os anos finais, entre 6º e 9º ano, a média ficou em 4,6 (a meta era 4,8).

Todos os alunos foram submetidos a provas de língua portuguesa, matemática e ciências da natureza.

Além do desempenho dos estudantes, a nota final considera também fatores externos que podem influenciar na nota, como a própria estrutura e complexidade da escola – quantos turnos e séries ela administra, por exemplo.

Leva em conta, ainda, o nível socioeconômico dos alunos, já que está comprovado que o nível de renda e escolaridade da família como um todo também impacta as experiências educacionais da criança.

“Conseguimos, pela primeira vez, enxergar que há uma influência relevante do ambiente socioeconômico dos alunos, mas isso não é determinante para o resultado final. Escolas em áreas de muita vulnerabilidade apresentaram bons resultados, assim como o contrário também aconteceu”, diz Bruno Caetano, secretário municipal de educação de São Paulo.

A SME ainda não divulgou o resultado por escola ou por categoria socioeconômica, e também não haverá ranking de performance. Segundo a pasta, os dados foram enviados para os diretores escolares já em janeiro e as estratégias estão incorporadas no plano anual deste ano.

Nova base curricular interferiu
De acordo com o secretário de educação, o que mais influenciou negativamente o desempenho dos alunos foi o fato de a prova ter sido estruturada a partir da Base Nacional Curricular Comum (BNCC), implementada em 2018.

“O resultado mostra que o novo currículo ainda não foi completamente apropriado nas salas de aulas, principalmente nos anos iniciais”, afirma Caetano, relembrando que a BNCC antecipou em um ano a alfabetização completa das crianças. Ou seja, os alunos do 3º ano, que há dois anos seriam considerados em processo de aprendizagem, hoje já são tratados como alfabetizados.

A avaliação, de fato, se reflete nos números gerais do Idep de 2019. Entre os anos iniciais, apenas 17% das escolas atingiram a meta, enquanto nos anos finais, a taxa sobe para 41%.

“A cidade de São Paulo foi pioneira na implementação da BNCC, que tem um currículo mais exigente. Nesse sentido, obviamente é normal que os alunos enfrentem alguma dificuldade na aprendizagem”, diz Maria Helena de Castro, ex-presidente do Inep e presidente da Associação Brasileira de Avaliação Educacional.

Para a especialista, essas dificuldades podem ser resolvidas com um bom programa de formação continuada para os professores municipais, além do desenvolvimento de materiais didáticos atualizados com a nova base curricular e de plataformas digitais que integrem os novos direcionamentos.

A prefeitura de São Paulo anunciou em outubro do ano passado o Programa Escola Digital, com três iniciativas para o desenvolvimento tecnológico das escolas municipais e investimento previsto de 90 milhões de reais. Entre elas está um projeto para equipar 12 mil salas de aula com computador, internet de banda larga e projetores com tela e caixas de som.

De acordo com o secretário de educação, a previsão é que neste ano as unidades escolares já estejam equipadas com os aparatos tecnológicos. Há, ainda, o lançamento da Escola de Formação para professores, que vai manter em constante atualização os professores concursados do município.

Para incentivar o aperfeiçoamento do Idep 2020, a prefeitura também condicionou o bônus salarial aos professores que conseguirem bater a meta dos alunos na prova. Nada interfere, contudo, na prova nacional do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, aplicada a cada dois anos.

Fonte: Exame

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